Saíram em 2026 os primeiros ensaios randomizados comparando tecnologias combinadas contra tecnologia isolada. Os ganhos existem — e são mais específicos do que a propaganda sugere.
Equipe Instituto Cardo Aesthetic · 27 de outubro de 2026 · leitura de 7 min
A pergunta chega quase toda semana no nosso WhatsApp, com outras palavras: "posso fazer o laser e o ultrassom no mesmo dia?", "vale a pena juntar?". Em 2026 saíram estudos que ajudam a responder — e a resposta não é um sim genérico. Depende de quais tecnologias e para quê.
Um ensaio clínico randomizado publicado em agosto de 2026 na Aesthetic Plastic Surgery testou a combinação em 22 pacientes de fototipo III a IV — perfil parecido com o da maioria das brasileiras. O desenho é dos melhores que existem nessa área: cada paciente recebeu ultrassom microfocado sozinho em um lado do rosto e a combinação com laser fracionado não ablativo 1550 nm no outro, com avaliador que não sabia qual lado era qual. Duas sessões, acompanhamento de 24 semanas.
Os dois lados melhoraram. Mas o lado combinado foi melhor em rugas, pigmentação, espessura da derme, elasticidade e índice de melanina.
O detalhe que muda a conversa: não houve ganho adicional em flacidez nem em vermelhidão. Ou seja, somar o laser ao ultrassom melhora textura e mancha — não melhora o efeito lifting. Quem promete "o dobro do lifting" porque juntou dois aparelhos está indo além do que o estudo mostra.
Outro ensaio, de 28 de setembro de 2026, testou aplicar polinucleotídeo (a família do PDRN, o chamado "DNA de salmão") imediatamente após radiofrequência microagulhada, também com metade do rosto como controle. Foram 25 mulheres.
Em seis semanas, o lado que recebeu o polinucleotídeo teve melhora bem maior em poros e rugas, a barreira da pele se recuperou melhor — a perda de água caiu de 8,19 para 3,85 — e a hidratação dobrou, de 23,42 para 48,19. A vermelhidão do pós também passou mais rápido.
E o que não aconteceu: nenhuma diferença em espessura da derme nem em elasticidade. O ganho foi de recuperação e qualidade de superfície, não de sustentação.
Existe um estudo de 2026 com um protocolo de várias tecnologias no mesmo dia — laser, toxina e entrega de ativos pelo laser — com resultados animadores. Só que foram cinco pacientes, sem grupo de comparação. Isso serve como sinal de segurança, não como prova de que funciona melhor.
E a combinação que mais nos perguntam — ultrassom microfocado junto com bioestimulador injetável — simplesmente não tem ensaio publicado até agora. Quem afirma que essa dupla é comprovadamente superior está afirmando mais do que a literatura permite.
No Instituto Cardo a combinação é decidida depois da análise de pele, não antes. A gente olha o que a sua pele precisa, em que ordem, e com qual intervalo. Às vezes a resposta é combinar. Às vezes é fazer uma coisa de cada vez — e, não raro, é tratar a base antes de ligar qualquer aparelho.
Ultrassom microfocado + laser fracionado 1550 nm, ensaio randomizado split-face, 22 pacientes
Zhang L, Zeng W e col. Aesthetic Plastic Surgery, 12 de agosto de 2026.
VER ESTUDO →
Polinucleotídeo após radiofrequência microagulhada, ensaio split-face, 25 pacientes
Kim J. Plastic and Reconstructive Surgery Global Open 2026;14(9):e8109, 28 de setembro de 2026.
VER ESTUDO →
Protocolo multimodal em sessão única, série de 5 casos
Rodrigo Crisanto de Oliveira R. Journal of Cosmetic and Laser Therapy, 8 de julho de 2026.
VER ESTUDO →
Quer saber se combinar faz sentido para a sua pele?
AGENDAR MINHA ANÁLISE DE PELEConteúdo educativo, baseado em literatura científica publicada. Não substitui avaliação presencial, não estabelece diagnóstico e não promete resultado. Resultados variam conforme o caso, o fototipo e o histórico de cada pessoa. Responsável técnica: Dra. Aline Cardoso — Farmacêutica Esteta, CRF-RJ 23412.